Sábado, 22 de Agosto, 2009


Manuela acorda. Vai à casa-de-banho, dá uma olhada à sala e à cozinha. "MIGUEEEEL!" O pobre solta um gemido sonolento e muda de posição na cama. "ACHAS QUE ISTO SÃO HORAS DE AINDA ESTAR A DORMIR?!" Miguel sem abrir os olhos e mexendo os lábios o menos possível responde: "Mãe, estou de férias." "NÃO ME INTERESSA, LEVANTA-TE JÁ! PORQUE É QUE AS ALMOFADAS DO SOFÁ ESTÃO FORA DO SÍTIO? E QUEM É QUE ESTEVE A COMER BOLACHAS DE NOITE E NÃO LAVOU O PRATO?" Solta agora um longo bocejo. 11 horas. Deitou-se há cinco horas atrás. A noite fora longa, a cabeça latejava, e a última coisa que se lembrou ontem quando voltou com fome foi de lavar o prato onde comeu. "Mais valia ter comido sem prato, pensou". Sem abrir os olhos, arrastou-se até à casa-de-banho. Cinco minutos depois de ter entrado no banho ouviu: "DESPACHA-TE, NÃO ÉS TU QUE PAGAS A ÁGUA E O GÁS!" Resmungou entredentes, e lá saiu do banho. Foi para o quarto vestir-se. Esqueceu-se da toalha. Acontece. Enquanto toma o pequeno almoço, já não muito bem-disposto, a mãe ataca de novo "NÃO SABES FAZER NADA DE JEITO, A TOALHA NÃO É PARA FICAR NO QUARTO! RAIO DO MIÚDO! ÉS UMA DESILUSÃO!" Miguel não aguenta mais. Pega nas chaves, abre a porta e sai.

 

(História baseada em factos reais)

 

Quem é que nunca ouviu este discurso? Os pais (mães especialmente) gastam energia e anos de vida com coisas sem importância nenhuma. Para quê, pergunto eu. Saiam, divirtam-se, leiam, vejam filmes. Faz-me comichão que percam tempo a lamentar-se que o tapete tem cabelos ou que a almofada não era para estar ali. Geram discussões, que apenas alimentam o desejo dos filhos de sair de casa. Viver na imundice, claro que não. Mas estar preocupada em estar sempre tudo perfeito também é exagero. 

escrito por no idea às 23:29

"Desculpe, onde posso encontrar aquele, o todo-poderoso... ai, 'méque ele se chama... Deus. É isso. Acabei de chegar, sou novo por aqui e não entendo nada destas cenas celestiais."

 

"Ora bem, o senhor tem de se dirigir à trigésima terceira nuvem a contar da direita. Quando chegar, dirige-se ao balcão, e eles lá indicam-lhe a papelada (comichão na garganta, cof cof), perdão, documentos que tem de preencher para se poder encontrar com o Todo-Poderoso".

 

"Niceeee. E posso encontrar o meu cão que bateu as botas quando eu tinha 9 anos? Pobre fluffy. Tenho saudades daquela língua a lambuzar-me o escro... as bochechas".

 

"Animais? Tudo o que tem de fazer é subir uns 500 metros na estratosfera e pedir o documento número 659 relativamente a seres vivos irracionais..."

 

"Irracional, o meu fluffy? Eu pedia para ele me trazer comida e ele trazia, ouviu? Pobre do bicho é que não sabia que os meus gostos alimentares não passavam por ratazanas meio cadavéricas..."

 

"Peço imensa desculpa se ofendi, não era a minha intenção. Assim que pedir o documento 659, tem de se dirigir à secção dos canis familiaris..."

 

"Dos quem?"

 

"É latim senhor. Dirige-se lá e tem de levar a fotocópia da identificação do animal, duas fotografias, um pêlo, de preferência recente, e nada disto terá efeito senão levar consigo uma amostra da sua última refeição, para termos a certeza absoluta que o animal lhe pertenceu e que pode de facto vê-lo."

 

"Dudeeee, a única cena que tenho aqui nos bolsos são uns preservativos."

 

"Então lamento senhor, nada comprova que o animal realmente lhe pertencesse".

 

"Mas... mas... Está bem. E quanto tempo demora até conseguir encontrar-me lá com o Deus?"

 

"Encontrar-se com o Nosso Senhor demora em média cerca de 450 anos".

 

"O quê? E o que é que eu faço até lá?"

 

"(Encolher de ombros)"

 

 

Uma Ode à burocracia em Portugal.

 

escrito por no idea às 01:25

Quinta-feira, 13 de Agosto, 2009

 

Há troca de olhares entre os dois concorrentes. "Tamanho 34. Hum." Maria agarra ferozmente as calças, e leva-as para onde possam resolver o seu assunto. "Vão ter de entrar, quer queiram quer não!" Perna direita, perna esquerda, sobe, sobe, sobe... E o concorrente oferece resistência! Toda a superfície de pele se encontra a asfixiar. A circulação parece parar.

 

Incrível! Maria enceta com um novo ataque, e dança! Isso mesmo, dança. De rabo de um lado para o outro, o seu concorrente parece estar a perder de novo. 1, 2, 3 e... tuc! Calças 34 fazem um ataque surpresa. O segundo botão salta. "Não desanimes, ainda há outro".

 

Enfrentam agora um fiel aliado... o traseiro! O traseiro parece estar a favor das calças, e impede-as de subir. Nada que não se resolvesse com mais um pouco de dança. As calças ultrapassam o rabo, mas ainda se riem baixinho. O fecho é a sua última arma secreta. Depois do que passou, isso é um pormenor. MARIA WINS!


Calças Zara a 5.99 €. Lindas. Há que fazer sacrifícios.

escrito por no idea às 18:34

Pessoa 1: Olá, então está tudo bem?

 

Pessoa 2: (Não! O meu gato morreu, o meu cão fugiu, a minha avó atirou-se de um prédio, o meu tio foi preso, a minha irmã foi para um convento, a minha mãe tornou-se testemunha de Jeová! Ah, e estas hemorróidas doem que 'sa fartam. Vá músculos da boca, mexam-se. Quase, quase... é isso! Sorriso.) Sim, está tudo óptimo e contigo?

 

O "está tudo bem?" é quase que como uma pergunta retórica. Ninguém quer saber da resposta. Ninguém conta a longa lista dos seus problemas quando encontra um conhecido na rua. Por isso está sempre tudo bem com toda a gente. Somos todos muito felizes.

escrito por no idea às 00:38

Quarta-feira, 12 de Agosto, 2009

 

Quando se dá um doce a uma criança, e se o tira logo a seguir, ela chora.

Ela podia nem querer o doce. Podia nem gostar dele. Podia atirá-lo para o chão e rir-se ingenuamente. Sabe até que da última vez que o comeu ficou com dores de barriga.

Mas a verdade é que chora quando o tiram.

 

Desta vez devia ter dito "Não quero disso que fico mal do estômago". Só para veres como era. Para sentires na pele a dor de uma rejeição.

 

Mas tu decidiste tirar o doce mesmo antes de eu decidir se o levava à boca ou não. E eu... bem, you get it.

sinto-me:
escrito por no idea às 19:37

Segunda-feira, 03 de Agosto, 2009

No centro de saúde:

 

(A alto e bom som)

 

"Agora deixei de vir trabalhar pó médico me ver a paxaxa? Opá. A última vez que aqui estive chamei-lhe filho da puta. Se eu não estiver aqui às horas da consulta ninguém espera por mim, agora esse cabrão atrasa-se 5 horas e eu tenho que esperar por ele? Ouviu das boas. E agora é o mesmo que me vai ver a crica, que sorte a minha".

 

 

escrito por no idea às 23:16

Domingo, 02 de Agosto, 2009

Na Rtp1

 

- Quem é o Tiger Woods?

 

- Não sei, as palavras no Norte são diferentes daqui!

 

 

escrito por no idea às 21:18

Sábado, 01 de Agosto, 2009

Senta-te diante da folha de papel e escreve. Escrever o quê? Não perguntes. Os crentes têm as suas horas de orar, mesmo não estando inclinados para isso. Concentram-se, fazem um esforço de contenção beata e lá conseguem. Esperam a graça e às vezes ela vem. Escrever é orar sem um deus para a oração. (...)

Escreve e não perguntes. Escreve para te doeres disso, de não saberes. E já houve resposta bastante.

 

in Pensar, Vergílio Ferreira

 

(pág.73, entrada 79)

escrito por no idea às 22:33

Eu hibernei o Verão todo e acordei em Dezembro?

 

CHUVA?

 

 

(É o meu primeiro dia de férias a sério. S.Pedro, um dia falamos)

escrito por no idea às 11:16

Artigo 79.º - Buzinas

O condutor do veículo ligeiro vê-se na obrigação legal de buzinar quando no seu campo de visão surge um elemento do sexo feminino que lhe agrade. Deste modo, além de chamar a atenção do mesmo, é solidário para com os demais, que podem também reparar nele. Pode, se quiser, acompanhar o buzinar com palavras ditas num tom de voz bastante audível, ou mesmo com o som do ósculo.

escrito por no idea às 01:01

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