Quarta-feira, 29 de Julho, 2009

Trrrrim. A campainha toca com aquele som frenético e irritante. "Quem é?" Ninguém responde. Decido não abrir a porta. Trrrrim, de novo. Nem pergunto quem é, abro logo a porta. Ouvem-se passos. Pesados. Parecem de homem. Espreito pelo buraquinho da porta, mas de nada adianta, está demasiado embaciado para se conseguir distinguir um rosto. Abro a porta.

Não me mexo. Permaneço imóvel. Os olhos enchem-se de lágrimas, mas estou com o maior sorriso do mundo. Vejo uns grandes e expressivos olhos azuis a olhar para mim. A pessoa sorri, como se nada tivesse acontecido. De repente, salto-lhe para cima, dou-lhe um abraço que deve ter feito doer alguns ossos, e o casaco enche-se de água que insiste em cair dos meus olhos. Choro compulsivamente. "Onde é que andaste?" "Não consegui contactar-te, mas estive de férias". "Nunca me deixes, por favor". "Está descansada, isso nunca vai acontecer". Fico agarrada a ele durante muito tempo. Não o quero largar. Atrás de nós, aparece a minha mãe. Deixa cair os sacos de compras no chão. Também ela chora. "Porque é que desapareceste sem dizer nada?!", diz ela entre soluços. Abraçamo-nos os três. Ele continua com aquele sorriso na cara, talvez nunca se tivesse apercebido o quanto nós gostávamos dele. "Nunca te esqueças, eu gosto muito de ti, pai". "Eu também, cachopa". Sorrio.

 

E acordo para a vida real. E nada disto aconteceu. E tu não estás cá com o teu sorriso e os teus olhos azuis.

 

E levaste o meu sorriso contigo.

 

Faz hoje um mês.

escrito por no idea às 01:02

Segunda-feira, 27 de Julho, 2009


 

Sara sai do trabalho para ter com João. É o primeiro encontro. Sente algumas dores de estômago, "devem ser nervos", pensa. Está com uma constipação há cerca de uns dois dias, vai à mala, procura um lenço, e... não há lenço. "Vai mesmo à manga", refunde-se e limpa o muco que insiste em cair.

 

Chega ao restaurante. "Olá, então tudo bem?" Conversa puxa conversa, Sara tem sede e pede uma coca-cola, não quer estragar o seu encontro ao mostrar-se bêbeda, pois sabe muito bem das figuras que é capaz. Há crianças no restaurante que nunca devem ter visto maminhas, e da última vez os copos deram num topless. Sorri enquanto pensa nisso, mas desta vez quer portar-se bem. Deixa cair um talher, e quando se baixa sente o muco a escorrer pelas narinas. ("Fuck! E agora?" Vou à casa-de-banho"). "João, volto já, vou só ali à casa-de-banho", enquanto tapa o nariz na tentativa que ele não veja a substância verde que lhe escorre pela cara. "Mas passa-se alguma coisa? Estás a sangrar do nariz? Sabes que tens de virar a cabeça para trás, pôr um algodão, blá, blá" quando reparou já ela tinha ido embora. Assoou-se como se não houvesse amanhã, e depois regressou. "Então, já está tudo bem?" "Sim sim, foi só uma pequena hemorragia *vergonha*. Depois de beber a coca-cola toda de rompante para ver se parava de corar de vergonha, o que acontece? Bem, queria arrotar. Tenta conter o ar que a sua boca insistia em expelir, mas... BURP. "Errr... Desculpa, a coca-cola fez-me mal... ahahah *vergonha*. Cora e abana-se com as mãos. Ao levantar o braço lembra-se que não deixou os pêlos em casa. ("ARGH, esqueci-me de fazer a depilação"). Baixa logo o braço e reza para que ele não tenha reparado. Ele já não se sente bem ali. Sara era extremamente simpática e boa conversadora, mas estava, digamos que com um certo nojo dela. No entanto, tentava pô-la à vontade: "Então, ouvi dizer que foste de férias para Los Angeles, como foi?" Sara contorcia-se na cadeira. Lembram-se da dor de barriga do início? Ela não se lembrou. ("Tenho de ir a casa-de-banho, tenho de ir a casa-de-banho".) Bem, ela queria simplesmente fazer cócó. E estava a meio de uma conversa interessante. ("Aguenta inestino, aguenta!"). Não aguentou. Largou um gás de surra. Fez um pouco de barulho, que ela disfarçou com o arrastar da cadeira. Levantou-se e disse que tinha de ir à casa-de-banho retocar a maquilhagem. "Mas, agora? A tua maquilhagem está óptima! Estás linda". Ela riu, e os movimentos que fez ao rir, deram-lhe ainda mais vontade de ir à casa-de-banho. "Sim, tem de ser!", e correu de novo. Chegou à sanita e sentiu-se a mulher mais feliz do mundo.

João estava fulo. Ela chegou, com outro ar. Comeram, falaram, tudo normal. "Sara..." "Diz João..." "Tens alface nos dentes". *Vergonha*. Sara apressa-se a tirar um espelho, aquilo teima em não sair, e palitar os dentes em pleno restaurante parecia mal. De repente teve uma ideia: Finge receber uma mensagem "Olha João, a minha irmã está doente e tenho que ir para casa tomar conta dela (Isto dito com a boca quase fechada e com um ar triste), não te importas que me vá embora? João sente um pouco pena dela, e ela sai.

 

 

Toda a gente tem de se aliviar, arrotar, assoar quando está constipado. São necessidades básicas como comer e dormir. No entanto, são um pouco repugnantes. E fazemo-as o mais refundidamente possível. Mas há dias de azar.

 

(Esta história não é de qualquer maneira baseada em factos reais).

escrito por no idea às 19:41

Sábado, 25 de Julho, 2009

 

Quando tinha cerca dos meus 3 anos, lembro-me perfeitamente de ir para Lisboa, para os locais onde habitavam estes seres e dar-lhes comidinha. "Oh pombinho pombinho". Tão inocente que era, não sabia que a maldade morava ali. Os bichos ainda me deram uns sinais, quando um deles decidiu aliviar o intestino em cima da cabeça da minha mãe, ou comer-me o meu rico pastel de belém.

Agora, cada vez que passa um batalhão deles por cima da minha cabeça, é olhar e ver se nenhum deles quer largar um cócózinho.


Apesar de tudo, eu era uma incapaz de fazer o que é que fosse a um pombo.


Hoje, abri a minha varanda, ouvi um "Crrru Crrru" característico, olhei para o chão e estava um cócó de pombo do tamanho de sei lá o quê. Deviam ser dois sobrepostos.


Com os pacotes de arroz que eu gastei com eles em pequena dava para alimentar muito boa gente em África! E agoram "colam-se" à minha casa e fazem da minha varanda casa-de-banho? Criaturas sujas.

escrito por no idea às 21:32

 


Be careful with what you wish for.

 

 

(se eu soubesse o que seria a minha vidinha aos 18. pfff)

música: Michael Bublé - Lost
escrito por no idea às 18:44

Domingo, 19 de Julho, 2009

É Domingo. Com poucas horas de sono dirijo-me ao meu local de trabalho, que eu odeio, mas tem de ser, uma pessoa precisa de pagar a faculdade. Está cheio de gente, óptimo. Sento-me, e em poucos segundos a fila cresce. "Bom dia, vai querer saco?", pergunto eu, ainda com um tom bem-disposto. "Couve portuguesa? Deixe-me só pedir o código". Senhora idosa balbucia qualquer coisa entredentes. É a vez de outra senhora idosa, amiga da anterior. As duas falam alto, criticam, maldizem. "Desculpe, estes chinelos não têm código de barras". Senhora idosa número 2: BLÁ BLÁ SÓ HAVIA ESSES, '´TÁ BEM O CHINELO FICA CÁ. Nesta altura já tinha eu pedido para me substituirem os chinelos. 5 minutos depois: AH NÃ QUERO CHINELO, 'TOU FARTA DE ESTAR Á ESPERA! (Ai sim? Que bom, vá-se lá embora).

Senhora idosa número 3: Olhe desculpe, está aqui marcado ervilha, e isto é feijão verde. (ASFD#"$%#$&%!) "Espere só um momento, já lhe dou atenção."

"Menina, tem de me resolver este assunto!"

Resposta imaginária simpática: Se trabalhasse cá há uma semana, não cozinhasse e não fizesse compras, não iria saber ver a diferença entre os dois.

Resposta imaginária provável: OH MULHER CALE-SE E DEIXE-ME EM PAZ.

 

Aparte: O que é que aprendeste hoje de útil para a tua vida futura, hum?

 

 

Ervilhas.

 

 

Feijão verde.

 

Também gosto das senhoras que vêm perfeitamente que a cancela da caixa está fechada, eu estou atenciosamente a contar o dinheiro, a luz está desligada, o tapete não anda e não está ninguém. Mas com o ar mais natural deste mundo perguntam: A caixa está aberta? (Não minha senhora, mandámos toda a gente embora e fingimos que íamos fechar, mas estávamos só à sua espera.)

As pessoas idosas não respeitam os mais novos nem quem trabalha. Não compreendem que ninguém nasce ensinado. Não percebem quando a culpa não é nossa. São maldizentes. Na fila de supermercado sopram como não houvesse amanhã, como se isso fosse fazer a fila andar mais depressa. Estão com pressa para quê, para ir para casa ver as Tardes da Júlia ou o Preço Certo?

Obrigada por fazerem do meu dia mais um dia infeliz.

 

(Peço desculpa pela generalização, há velhinhos muito simpáticos. Mas os outros deram-me cabo cabeça).

sinto-me: e se fossem morrer todos?
escrito por no idea às 17:32

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