Domingo, 20 de Setembro, 2009

 

Os olhos fecham uma, duas, três vezes... querendo manter-se fechados cada vez mais tempo. A boca abre, inspira, expira, fecha. A luz apaga-se, os cobertores tapam o corpo e pouco tempo depois adormeço. Adeus, até amanhã? Nem pensar.

Agora é que o espetáculo acontece. Durante 11 horas de sono entraram e saíram personagens de cena, em três peças distintas. É o teatro mais puro e verdadeiro de todos, em que se a peça está em cena é porque tu queres que esteja, afecte-te isso positiva ou negativamente.

O desenrolar da história pode não ter nexo algum, mas tu compreendes o seu significado. É arte. Na arte não interessa fazer sentido ou não, mas sim o simbolismo em si.

O cenário pode ser pobre ou não. Neste caso era. É porque o local não interessa, apenas a personagem que nele se encontra. Estão lá rostos. São meros figurantes, também não interessam. É como tudo na vida, há pessoas que estão lá, mas não sabes bem porquê.

Vejo a primeira personagem entrar em cena. Reconheço-a. É sangue do meu sangue, como poderia eu não reconhecê-la? Está igualzinho a sempre. Veio visitar-me, e só eu consigo vê-lo. Os figurantes não acreditam em mim, mas é-me indiferente. Eu vejo-o e estou a abraçá-lo, e nada me faz mais feliz como isso. A peça demora algum tempo, mas a imagem não muda.

 

Tu és o realizador da tua própria história e personagem principal em simultâneo. Quando estás em cena pode acontecer não saberes se aquilo que estás a viver é real ou fictício. Foi o que me aconteceu. Aquilo para mim era real, embora impossível.

Disse que vinha visitar-me mais vezes. Sem saber como ou porquê, a peça mudou.

Esta parece tão real, tão real, que podia ser verdade. Desta vez o realizador decidiu por em cena o medo. Não o vejo, mas ele está lá. É uma cena banal do quotidiano, em que me chateio com a pessoa que faz este coração bater mais depressa.

 

Durante estas horas há pormenores que se esquecem. Tanto podem voltar com o passar do tempo como perder-se para sempre.  O realizador pode mesmo alterá-los, quando está consciente, passando a acreditar que as coisas aconteceram mesmo daquela maneira.

 

O corpo adormecido desperta em sobressalto. Abre os olhos, vê as horas. Não se lembra de nada por instantes. Não faz mal, minutos depois a actividade cerebral consciente começa a relembrar-se do que produziu inconscientemente. E também de forma inconsciente ou não, os olhos enchem-se de lágrimas. O primeiro sonho não foi real, aquela pessoa não esteve comigo e o coração sente um aperto.

 

De repente recordo-me das peças seguintes, as "secundárias". Sorrio e penso "Sou tão parva".

 

A verdade é que desta vez o insconsciente ganhou ao consciente. Por baixo dos meus olhos encontram-se fundos buracos negros, embora tenha dormido mais esta noite do que nas duas últimas que passaram. Parece que a Segunda Guerra Mundial passou pela minha cama. E (mesmo sendo este o meu último dia de férias) nem me apetece ir ver como está o mundo lá fora.

 

Enfim, podemos enganar-nos a nós próprios de dia, podemos fingir que isto ou aquilo não nos afecta. Mas o nosso inconsciente não se engana. Se aquilo que sonhámos não faz sentido, é porque ainda não lhe descobrimos um.

escrito por no idea às 16:04

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A intelectualidade e a maturidade são tuas. Agora falta-te o que é teu. Não tens nada, mas tudo o que tens ganhaste-o com grande mérito e honra. Adoras saber mais e mais e nunca te cansas de trabalhar para o intelecto. No entanto achas-te inútil e inferior a muitos outros porque pensas que na vida o mais importante é o poder económico e estético. A humildade exagerada e a perfeição dão cabo do teu meio, mas tu adoras ambientar-te nelas.

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